8 OU 80: A Régua de Dois Números e o Borderline

8 OU 80: A Régua de Dois Números e o Borderline

Existe a tendência no paciente borderline em ser o famoso ‘8 ou 80’, em dividir as pessoas, as experiências e a si mesmo ou como totalmente bons ou totalmente maus.

Em psicanálise chamamos este mecanismo de cisão (ou splitting, ou clivagem), e atua como uma defesa a sentimentos ambivalentes.

Deixando um pouco de lado os termos técnicos, gosto de pensar este mecanismo como uma régua, mas não uma régua qualquer. Trata-se de uma régua de dois números, que o indivíduo usa para medir o mundo e a si mesmo. No topo da régua encontra-se o “número” bom, perfeito, excelente, etc.; já na parte inferior encontra-se o “número” ruim, péssimo, pavoroso, etc. É com este sistema métrico que o paciente borderline mede a si mesmo e o mundo.

Não é preciso dizer que uma régua dessa é imprecisa e o julgamento a partir dela explica, em partes, o porquê dos pacientes com este diagnóstico serem tão impulsivos e intensos em seus sentimentos.

É função da psicoterapia pintar novos números nesta régua, a fim de que o paciente tenha uma percepção mais adequada de si mesmo, da realidade e das pessoas que o cercam.

Ricardo Meloni

Idealista incurável, que acredita no potencial de transformação e de criatividade humana.