Patinando sobre a fina camada de gelo: Uma breve reflexão sobre o que estamos fazendo com nossas vidas

Ralph Waldo Emerson, poeta e filósofo do século XIX, certa vez definiu a modernidade a partir da seguinte metáfora: 57
“um andarilho que corre sobre uma fina camada de gelo. Ele não tem um destino certo. Mas sabe que, se parar, o piso racha e morre afogado”.

Esta metáfora está ainda mais viva nos dias de hoje, vivemos em uma sociedade que cada vez exige mais: mais trabalho, mais consumo, mais saúde… Por isso vivemos correndo, apressados, mesmo que sem conhecer, ao certo, o nosso destino.
Bauman propõe a noção de viver-para-o-depósito-de-lixo, querendo dizer que ao invés de a vida dirigir-se para a morte, ela se dirigiria para uma fase de inutilidade, fase em que não se consome nem se produz mais, não se é mais “útil”. Em outras palavras, a não produção/consumo seria a “morte” em vida.

socDessa forma criamos um verdadeiro fetiche em estarmos sempre empenhados em questões concretas, seja um trabalho que estejamos fazendo, seja a escolha de uma roupa que estejamos comprando. Tornamo-nos seres fascinados pela produção e, muitas vezes, esquecemos de nossos aspectos internos e subjetivos, estes nos parecem vãos, insossos e sem sentido, julgamos perda de tempo olharmos para eles. Justamente porque se pararmos para pensar em tais questões poderemos quebrar a fina camada de gelo que nos sustenta e cairmos nas águas profundas de nossa própria identidade.
A questão é: patinaremos em círculos para sempre sobre a superficial superfície do chão de gelo ou aprenderemos a mergulhar nas profundas águas debaixo deste?

Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro despertaJung

Ricardo Meloni

Idealista incurável, que acredita no potencial de transformação e de criatividade humana.