Destino, Fuga e Encontro

Destino, Fuga e Encontro

Na tragédia grega, “Édipo Rei”, o protagonista título vai ao oráculo (um adivinho da época), que lhe faz a seguinte revelação: seu destino lhe reservaria o assassinato de seu pai e a tomada de sua mãe como esposa. Desesperado Édipo foge da cidade, acaba por encontrar uma caravana, transtornado, Édipo mata à todos seu viajantes. Chega à outra cidade onde se casa com a rainha, tornando-se rei. Por fim, após muitos anos, Édipo descobre que fora filho adotivo, e que matara a seu legítimo pai, o rei, na ocasião da caravana, e se casara com sua mãe, a rainha. Por fim, o oráculo estava certo, Édipo cumprira seu destino.

Nos deparamos com um interessante paradoxo: ao tentar fugir de seu destino, Édipo acaba por ir ao seu encontro.
Embora a tragédia de Édipo tenha mais de dois milênios, pode-se dizer que ainda é contemporânea. E tal como o exemplo de nosso herói, se continua fugindo do destino, ou então, quando se tem algum poder, cortando a cabeça do oráculo, crente de que se não estiver vendo, estará a salvo.
Quem não conhece alguém que vive trocando de emprego e, não importando a empresa ou a função, a pessoa sempre acaba insatisfeita como no primeiro compromisso profissional? Ou alguém que vive trocando de pareceiro(a) sempre pelas mesmas razões?
Na medida em que não compreendemos nossos verdadeiros desejos, motivações, frustrações, medos, etc. nos tornamos vítimas fáceis de um destino que se repete impiedosamente.

“Tudo aquilo que não enfrentamos em vida acaba se tornando o nosso destino” (Jung)

5 dicas para evitar estresse no trabalho:

5 dicas para evitar estresse no trabalho:

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1) Saber separar a vida profissional da vida pessoal: embora seja um clichê, esse ponto ainda precisa ser levantado. Muitas pessoas tem dificuldade em separar os dois aspectos. Tanto trabalho quanto a vida pessoal são pontos importantes na vida de uma pessoa, misturá-los pode fazer com que ambas não saiam do lugar;

2) Evitar conflitos desnecessários em ambiente de trabalho: são conhecidos esse tipo conflitos, como a competitividade (os famosos puxões de tapete), jogos de poder, implicâncias pessoais, etc. Dentro de um ambiente de trabalho esse tipo de conflito, além de ser estressante, pode interferir de forma negativa na produtividade;conf

3) Não assumir mais compromissos do que é capaz de realizar: conhecer os próprios limites e ser capaz de delegar e dividir as responsabilidades é fundamental. Além de não ultrapassar o próprio ritmo, torna o ambiente de trabalho menos dependente de um único indivíduo estimulando a pró-atividade;

4) Tomar cuidado com a auto cobrança: esse é um ponto delicado. Muitas pessoas são muito auto críticas em relação a seu trabalho, cobrando-se sempre por perfeição. Este ponto gera muito estresse, tanto para o indivíduo, que sempre carregará uma grande pressão interna ao executar qualquer tarefa, quanto para os colegas (muitas vezes, subordinados) que sofrerão com o mesmo tipo de pressão, dessa vez externa, visto que quem costuma ser crítico consigo próprio, também costuma sê-lo com os outros; e por fim

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5) Entender que trabalho não é tudo: saber investir energia em outras esferas da vida é essencial para que o trabalho não se torne a única fonte de satisfação pessoal, concentrar toda expectativa no trabalho é esperar que ele supra necessidades que não competem a ele.

 

Sobre Dúvidas e Escolhas

Sobre Dúvidas e Escolhas

Com alguma frequência recebo clientes para Orientação Vocacional Profissional que chegam muito certos acerca de suas escolhas profissionais, dando pouca abertura para pensar em outras carreiras. Buscam o serviço apenas “para confirmar” a escolha, o que já caracteriza uma contradição: por que algo tomado como certo precisaria ser confirmado?

Para esses orientandos eu costumo citar o filme “O Palhaço”, que conta a história de um homem melancólico que fora palhaço a vida toda, que decide viver uma vida comum na cidade, abandonando a vida itinerante do circo.

Ao se permitir viver essa experiência ele se dá conta de que ser palhaço era o que ele realmente gostava. Regressa ao circo, onde deixa de ser melancólico. O circo não mudou, é o mesmo, quem mudou foi ele, pois agora ele sabe o que ele realmente quer. E ele só descobre isso porque se permitiu experimentar algo diferente.

Aplicando isso aos meus orientandos, quando eles chegam muito certos do que querem, não estão se dando a oportunidade de “sair do circo” e pensar em novas possibilidades, restringindo muito o campo de visão no momento em que justamente deveriam estar abrindo, a fim de tomar uma decisão acertada.

Uma forma (uma, não a única) mais profunda de se interpretar essa resistência em abrir-se à novas possibilidades é que esta seja causada, na verdade, por uma forte dúvida não aceita, em função da não aceitação é convertida em uma rígida e inabalável, porém falsa, certeza. Afinal, quando tenho certeza de algo, não temo testá-la, pois tenho a convicção de que, por ser certa, ela prevalecerá no final.

Claro que essa reflexão não se limita apenas à escolha profissional, podemos estendê-la a qualquer outra escolha significativa.

Só podemos sanar verdadeiramente as dúvidas que nos permitimos sentir. Caso contrário corremos o risco de acabar como palhaços melancólicos.

Patinando sobre a fina camada de gelo: Uma breve reflexão sobre o que estamos fazendo com nossas vidas

Ralph Waldo Emerson, poeta e filósofo do século XIX, certa vez definiu a modernidade a partir da seguinte metáfora: 57
“um andarilho que corre sobre uma fina camada de gelo. Ele não tem um destino certo. Mas sabe que, se parar, o piso racha e morre afogado”.

Esta metáfora está ainda mais viva nos dias de hoje, vivemos em uma sociedade que cada vez exige mais: mais trabalho, mais consumo, mais saúde… Por isso vivemos correndo, apressados, mesmo que sem conhecer, ao certo, o nosso destino.
Bauman propõe a noção de viver-para-o-depósito-de-lixo, querendo dizer que ao invés de a vida dirigir-se para a morte, ela se dirigiria para uma fase de inutilidade, fase em que não se consome nem se produz mais, não se é mais “útil”. Em outras palavras, a não produção/consumo seria a “morte” em vida.

socDessa forma criamos um verdadeiro fetiche em estarmos sempre empenhados em questões concretas, seja um trabalho que estejamos fazendo, seja a escolha de uma roupa que estejamos comprando. Tornamo-nos seres fascinados pela produção e, muitas vezes, esquecemos de nossos aspectos internos e subjetivos, estes nos parecem vãos, insossos e sem sentido, julgamos perda de tempo olharmos para eles. Justamente porque se pararmos para pensar em tais questões poderemos quebrar a fina camada de gelo que nos sustenta e cairmos nas águas profundas de nossa própria identidade.
A questão é: patinaremos em círculos para sempre sobre a superficial superfície do chão de gelo ou aprenderemos a mergulhar nas profundas águas debaixo deste?

Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro despertaJung