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Você tem valor? Ou é apenas útil?

Você tem valor? Ou é apenas útil?

Em termos filosóficos útil é aquilo cujo valor encontra-se fora do objeto. Por exemplo, um carro é útil porque nos desloca de um lugar a outro, no dia em que ele deixa de fazer isso o mandamos ao ferro velho. Isso quer dizer que o valor do carro reside em sua função, o deslocamento que ele nos permite, e não em si próprio.

Quando alguém se coloca no mundo APENAS como útil, dispostos a ajudar a todos, abrindo mão das próprias necessidade e prioridades. Pode-se dizer que, seguindo esta linha de raciocínio, não se está reconhecendo o próprio valor e por isso se investe maciçamente em funções, tornando-se, muitas vezes, um canivete suíço humano.
Pessoas com dificuldade de falar não e impor limites aos outros, deixando-se sempre ser usado, muito provavelmente, têm grandes dificuldades em fazer este reconhecimento.

Quanto menor o reconhecimento do próprio valor, maior a necessidade em ser útil.

Patinando sobre a fina camada de gelo: Uma breve reflexão sobre o que estamos fazendo com nossas vidas

Ralph Waldo Emerson, poeta e filósofo do século XIX, certa vez definiu a modernidade a partir da seguinte metáfora: 57
“um andarilho que corre sobre uma fina camada de gelo. Ele não tem um destino certo. Mas sabe que, se parar, o piso racha e morre afogado”.

Esta metáfora está ainda mais viva nos dias de hoje, vivemos em uma sociedade que cada vez exige mais: mais trabalho, mais consumo, mais saúde… Por isso vivemos correndo, apressados, mesmo que sem conhecer, ao certo, o nosso destino.
Bauman propõe a noção de viver-para-o-depósito-de-lixo, querendo dizer que ao invés de a vida dirigir-se para a morte, ela se dirigiria para uma fase de inutilidade, fase em que não se consome nem se produz mais, não se é mais “útil”. Em outras palavras, a não produção/consumo seria a “morte” em vida.

socDessa forma criamos um verdadeiro fetiche em estarmos sempre empenhados em questões concretas, seja um trabalho que estejamos fazendo, seja a escolha de uma roupa que estejamos comprando. Tornamo-nos seres fascinados pela produção e, muitas vezes, esquecemos de nossos aspectos internos e subjetivos, estes nos parecem vãos, insossos e sem sentido, julgamos perda de tempo olharmos para eles. Justamente porque se pararmos para pensar em tais questões poderemos quebrar a fina camada de gelo que nos sustenta e cairmos nas águas profundas de nossa própria identidade.
A questão é: patinaremos em círculos para sempre sobre a superficial superfície do chão de gelo ou aprenderemos a mergulhar nas profundas águas debaixo deste?

Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro despertaJung